Trump expande influência na América do Sul com 8 presidentes alinhados a ele; Flávio Bolsonaro pode se tornar o 9º
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições d...
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições de 2026 à frente de Lula (PT), com 47,03% dos votos contra 45,16% do petista. Se for eleito no segundo turno, o senador poderá ser oitavo presidente de um país da América do Sul que mantêm aproximação política e diplomática com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na segunda-feira (5), quando questionado sobre o desempenho de Flávio nas eleições, Trump se disse surpreso com o resultado. "Bom, é uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade", afirmou. O americano evitou falar mais sobre a disputa no Brasil. Nos dias anteriores ao pleito do último domingo (4), o republicano não respondeu se apoiaria Flávio. Apesar da não resposta do americano, durante 2026 Flávio Bolsonaro e Trump se aproximaram em diversas ocasiões, como: Maio: Flávio foi à Casa Branca e disse ter pedido a Trump que os grupos criminosos PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) fossem classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas, algo que Lula lutava contra. Junho: Trump publicou uma foto do encontro com Flávio no Salão Oval e elogiou o senador: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!” Junho: Flávio afirmou que o Pix não deveria ser internacionalizado e defendeu que o Brasil barrasse sistemas de pagamento considerados “não ocidentais”. Setembro: Flávio afirmou que, caso fosse eleito, o Brasil faria parte do Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada pelo governo Trump que reúne países da região. Os presidentes da América do Sul alinhados com Donald Trump. Elaboração g1 Doutrina Monroe: a política de Donald Trump Em dezembro do ano passado o governo Trump divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, e junto a ela vinha a intenção de retomar sua influência na região para conter o avanço de potências de outros continentes. "Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental", dizia o documento. 🔎 A Doutrina Monroe foi uma política externa dos EUA apresentada em 1823 pelo então presidente James Monroe. Em linhas gerais, defendia que as potências europeias não deveriam interferir ou ampliar sua influência nas Américas, sob o princípio de que “a América é para os americanos”. Essa nova investida do governo norte-americano nas américas foi chamada pelo jornal The New York Times de "Doutrina Donroe", uma combinação dos nomes Donald e Monroe. O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais: ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas; reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos; estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região. A estratégia diz ainda que os EUA buscam "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental'. Abaixo, confira todos os presidentes da América do Sul que são alinhados ao presidente dos Estados Unidos. Abelardo De la Espriella, presidente da Colômbia Abelardo de la Espriella (à esquerda), candidato eleito para presidente da Colômbia em apuração preliminar, e Donald Trump, presidente dos EUA. Jaime Saldarriaga/AFP/Evelyn Hockstein/REUTERS Eleito em junho deste ano, Abelardo De la Espriella contou com o apoio de Donald Trump durante a corrida presidencial na Colômbia. Na plataforma Truth Social, Trump chamou o candidato colombiano de "um líder inteligente, forte e determinado". Também afirmou que De la Espriella teria sucesso ao liderar o combate ao crime e ao tráfico de drogas. "O resultado desta eleição é muito importante para o futuro da Colômbia e para a relação do país com os Estados Unidos. Por causa de suas grandes realizações ao longo da vida e de seu apoio político a mim, pessoalmente, tenho a honra de dar a Abelardo meu apoio completo e total", publicou. Após a vitória de 'El Tigre', o ocupante da Casa Branca afirmou que trabalhariam juntos para construir uma "relação poderosa" entre os dois países. Javier Milei, presidente da Argentina Trump recebe Milei na Casa Branca, em 2025 Jonathan Ernst/Reuters Javier Milei talvez seja o trumpista de maior destaque entre os mandatários sul-americanos. O presidente da Argentina fez diversas viagens a Mar-a-Lago, a residência particular de Trump, e é uma presença constante em eventos que reúnem a direita conservadora no país. Em 2025, Trump liberou um empréstimo de US$ 20 bilhões a título de socorro financeiro à Argentina após um encontro oficial entre os dois chefes de Estado. O alívio fiscal ajudou Milei a conquistar uma vitória inesperada nas eleições legislativas daquele ano. Daniel Noboa, presidente do Equador Daniel Noboa durante visita ao Brasil em 18 de agosto de 2025 REUTERS/Adriano Machado O presidente equatoriano, Daniel Noboa tem uma relação mais pragmática com Trump do que Milei, mas tentou se aproximar do norte-americano especialmente ao apresentar seus projetos na segurança pública. Na reta final da campanha de reeleição, em 2025, Noboa buscou o apoio de Trump na luta contra o crime e não descartou a volta de bases militares estrangeiras, proibidas por lei no país. Santiago Peña, presidente do Paraguai Santiago Peña Jorge Saenz/AP Outro aliado de primeira hora do republicano, Santiago Peña comemorou o retorno de Trump à Casa Branca, no fim de 2024, e foi um dos convidados a participar do "Conselho da Paz" — iniciativa de Trump para criar uma organização paralela à ONU para resolução de conflitos entre nações. Na ocasião, Peña elogiou Trump e agradeceu ao mandatário por "trazer esperança novamente". O Conselho se reuniu uma única vez e foi deixado de lado após o início da Guerra do Irã pelos EUA e Israel. Rodrigo Paz, presidente da Bolívia Rodrigo Paz, presidente da Bolívia Claudia Moralez/Reuters Outro dos aliados pragmáticos, Rodrigo Paz assumiu em novembro de 2025 e encerrou um ciclo de duas décadas da esquerda no país. A receber os parabéns de Trump pela vitória no ano passado, ele declarou que "teremos uma relação fluida e compromissos de cooperação e trabalho conjunto entre as duas nações". Paz vem sofrendo com uma série de protestos por todo o país devido à persistência da crise econômica no país. Em maio, a Casa Branca reforçou seu apoio: o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, disse ter conversado com Paz e afirmou que as manifestações seriam "um golpe financiado por uma aliança perigosa entre política e crime organizado na região". José Antonio Kast, presidente do Chile O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, acena após uma reunião privada com o presidente da Argentina, Javier Milei REUTERS/Pedro Lazaro Fernandez José Antonio Kast possui grande afinidade ideológica com Trump, mas ela não se traduz em relação pessoal, como no caso de Milei. O líder de direita foi comparado ao republicano diversas vezes desde sua primeira primeira candidatura à Presidência em 2021. Ele chegou ao Palácio de la Moneda com uma plataforma similar à de Trump, promentendo combater a imigração ilegal — e propondo até a construção de um muro na fronteira com a Bolívia. Outros pontos de convergência incluem a crítica ao progressismo e às políticas identitárias, a defesa de valores conservadores, oposição a governos de esquerda na América Latina e a crítica ao multilateralismo tradicional. Após a vitória de Kast, no final de 2025, Trump disse na Casa Branca: "Descobri sobre o Chile que a pessoa que eu apoio, que não estava na liderança, ganhou com facilidade (...) Pelo que ouvi, é uma pessoa muito boa." Keiko Fujimori, presidente do Peru Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru, em cerimônia nesta quarta (28) Guadalupe Pardo/Pool via Reuters Outro exemplo é o Peru, que passou a ser governado por Keiko Fujimori, eleita em junho de 2026. A aproximação da presidente peruana com Trump aparece principalmente na área de segurança. Durante a campanha, Keiko defendeu a entrada do país no “Escudo das Américas”. Já como presidente, Fujimori confirmou a entrada do Peru na iniciativa durante uma reunião com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em setembro, ela também participou de uma reunião de alto nível do grupo ao lado de Trump, durante a Assembleia Geral da ONU. Apesar da aproximação entre os governos, Trump não declarou apoio público a Keiko durante a campanha eleitoral. Após a vitória dela, porém, o governo americano afirmou que esperava aprofundar a cooperação com o Peru em áreas como segurança, investimentos e comércio. Aliança 'forçada' na Venezuela Delcy Rodríguez discursa como presidente interina da Venezuela na Assembleia Geral da ONU em 23 de setembro de 2026 Eduardo Munoz/Reuters Delcy Rodríguez assumiu o poder na Venezuela como presidente interina após uma operação militar dos EUA para sequestrar Nicolás Maduro e levá-lo para Nova York, onde ele é mantido preso no aguardo de um julgamento. Desde então, o regime venezuelano tem assinado acordos de exploração de petróleo e feito acenos diplomáticos a Washington, como a libertação de presos políticos. Tudo isso sem que haja uma manifestação de alinhamento explícita.