'Três Graças' fora da TV: conheça mães e avós que viveram a gravidez na adolescência

Alana Cabral, Sophie Charlotte e Dira Paes, em Três Graças Divulgação - TV Globo Na próxima sexta-feira (15), vai ao ar o último capítulo de "Três Graç...

'Três Graças' fora da TV: conheça mães e avós que viveram a gravidez na adolescência
'Três Graças' fora da TV: conheça mães e avós que viveram a gravidez na adolescência (Foto: Reprodução)

Alana Cabral, Sophie Charlotte e Dira Paes, em Três Graças Divulgação - TV Globo Na próxima sexta-feira (15), vai ao ar o último capítulo de "Três Graças", novela da TV Globo que conta a história de três mulheres, mãe, filha e neta: Lígia (Dira Paes), Gerluce (Sophie Charlotte) e Joélly (Alana Cabral), cujas vidas são marcadas por um ponto em comum: todas viveram as alegrias e os percalços da gravidez na adolescência. Fora da ficção, essa realidade também marca a vida de mulheres que vivem nas periferias de Belo Horizonte. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Segundo o Ministério da Saúde, Minas Gerais registrou, no ano passado, 19.835 nascimentos de bebês de mães entre 15 e 19 anos. Desse total, 16.413 são de bebês de mães solteiras. O assunto é tema do Rolê nas Gerais deste sábado, na TV Globo em Minas. O programa, especial em homenagem ao Dia das Mães, conta histórias de maternidades diversas, nas periferias da região metropolitana de Belo Horizonte. No Morro das Pedras, as "três graças" da vida real: Nicolly com o filho Kauan, ao lado da avó, Sônia de Paula, e da mãe, Amanda de Paula Arquivo Pessoal No Morro das Pedras, na região Oeste, vive a técnica em enfermagem Amanda de Paula Oliveira, de 34 anos. A história da família começa com a auxiliar de serviços gerais, Sônia Beatriz de Paula, que engravidou de Amanda aos 17 anos. A gravidez precoce, segundo Amanda, nunca foi assunto dentro de casa. "Essa questão não era abordada em casa, não havia diálogo sobre isso entre nós. Fiquei sabendo da boca de tias e tios. A gente não conversava sobre isso", conta. A gravidez de Amanda veio quando ela ainda era jovem e morava no bairro Mantiqueira, na região de Venda Nova. Por falta de informação e de atenção aos sinais do corpo, só descobriu que estava grávida com cerca de cinco meses, alertada por uma vizinha. Depois da confirmação, separou-se do pai da criança e voltou, grávida, para o Morro das Pedras. "Não senti que minha adolescência acabou precocemente, pois, desde muito nova, minha vida já se assemelhava à de um adulto. Com 10 anos, já catava latinhas e fazia faxinas para ajudar em casa. Aos 9 anos, já cuidava dos meus irmãos, preparando suas refeições e mamadeiras. Aos 12 anos, eu mesma levava meus irmãos para visitar o pai deles, pegando três ônibus. Portanto, a responsabilidade e o amadurecimento vieram cedo", disse. Amanda é mãe de duas filhas e foi avó aos 33 anos. A filha mais velha, a balconista Nicolly, engravidou aos 15 anos e interrompeu os estudos após o nascimento de Kauan. A chegada do neto trouxe desafios, mas também é motivo de alegria para a família. "A chegada do meu neto trouxe mais alegria à nossa casa e à nossa família, mas não alterou significativamente minha rotina", conclui. LEIA TAMBÉM Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente Realização de um sonho Diana Porto (ao centro) com a filha Tamiris Vitória, segurando o neto Ravi Luca, e ao lado a mãe, Sônia: três gerações de mulheres Arquivo Pessoal Na comunidade do Bananal, no bairro Cachoeirinha, região Norte da capital, a experiência da maternidade precoce tem outro significado na vida de Diana Porto de Oliveira, de 45 anos. Filha de Sônia de Oliveira Alves, de 73 anos, mãe de oito filhos, Diana sente orgulho de ter visto a mãe viver a maternidade ainda jovem. “Ela sempre foi uma mulher guerreira. Foi com ela que aprendi a ser forte e a cuidar da minha família”, diz. Diana engravidou aos 18 anos, já casada. E, diferente de Amanda, a maternidade era um sonho realizado. “Para mim foi uma alegria descobrir que estava grávida.” A mãe, no entanto, demorou a aceitar a gestação. A aceitação só veio por volta do sexto mês. Diana seguiu firme: já tinha sua casa e seu espaço. Hoje, ela é mãe de cinco filhos e se tornou avó aos 45 anos. O neto Ravi Luca, de seis meses, é filho de Tamiris Vitória. “Olhar minha mãe, me olhar, olhar minha filha e olhar meu neto é sentir que somos uma família”, resume. Ela faz questão de dizer que não tem uma família "perfeita", mas unida pelo afeto e pelo desejo de um futuro melhor. “Sonho que meu neto estude, se forme, e que minha filha continue correndo atrás dos objetivos dela.” Assim como na novela "Três Graças", as histórias de Amanda e Diana mostram que a maternidade na adolescência não acontece de uma única forma. Pode surgir do silêncio ou do acolhimento, da falta de escolha ou da realização de um sonho — mas quase sempre exige amadurecimento precoce, força e redes de apoio. Fora da ficção, essas três graças resistem no cotidiano de muitas famílias mineiras.