Presidente da CPI do INSS diz a Toffoli que comissão precisa do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro

Presidente da CPI do INSS diz a Toffoli que comissão precisa do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérit...

Presidente da CPI do INSS diz a Toffoli que comissão precisa do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro
Presidente da CPI do INSS diz a Toffoli que comissão precisa do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

Presidente da CPI do INSS diz a Toffoli que comissão precisa do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou em pedido ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a CPI precisa do depoimento do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em ofício enviado ao ministro, Viana pede autorização para que Vorcaro — que cumpre medidas cautelares impostas pelo STF — seja liberado para comparecer à CPMI como testemunha. A convocação foi aprovada em dezembro, e o depoimento está marcado para a próxima quinta-feira (5). Segundo o presidente da CPMI, a oitiva tratará exclusivamente de contratos de empréstimos consignados do Banco Master relacionados ao INSS. A comissão investiga descontos indevidos em benefícios previdenciários que atingiram aposentados e pensionistas. Esses desvios não são todos ligados ao Banco Master. De acordo com Viana, o INSS suspendeu cerca de 250 mil contratos de consignado do Banco Master por falta de comprovação documental de autorização dos segurados. No pedido a Toffoli, o senador argumentou que "como as CPIs se baseiam brutalmente em inquirições, não se pode tolher os parlamentares de inquirir e, sem depoentes presentes, não há inquirição possível". A jornalistas na semana passada, Viana afirmou que “ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e como descontos ocorreram sem autorização em casos nos quais não havia comprovação”. A CPMI também pretende questionar quais medidas foram adotadas para devolver os valores aos clientes prejudicados. O pedido de depoimento ocorre em meio a um impasse com o STF sobre o acesso da comissão a dados sigilosos. Antes de ingressar com mandado de segurança, Viana pretende solicitar uma audiência com Toffoli para pedir a devolução à CPMI dos materiais de quebra de sigilo de Vorcaro e do Banco Master. Por decisão do ministro, os documentos foram transferidos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e colocados sob sigilo total. Antes do recesso, a CPMI pediu à Advocacia do Senado que recorresse da decisão. Integrantes da comissão avaliam que a atuação do órgão se limitou a uma notificação ao STF, sem efeito prático. Na avaliação de Viana, faltou empenho para tentar atender ao pedido do colegiado. O senador afirma que buscará esclarecer ao ministro que a investigação da CPMI se restringe a temas ligados ao INSS. Caso não haja acordo, ele não descarta ingressar com mandado de segurança para liberar a documentação. Liquidação e investigações O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, após a autoridade monetária concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus papéis. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o banco. Posteriormente, o empresário foi solto, mas passou a cumprir medidas cautelares. Dados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviados à CPMI mostram um crescimento expressivo de reclamações contra o Banco Master relacionadas a crédito consignado. Entre 2019 e 2025, foram 5.665 registros. Em 2024, o banco liderou o volume anual de queixas, com 2.472 reclamações, ficando à frente de instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BRB. Nesta quarta-feira (28), a CPMI foi informada de que os advogados de Vorcaro devem recorrer ao STF para tentar impedir o comparecimento do empresário ou, alternativamente, garantir o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento. Até a última atualização desta reportagem, o ministro Dias Toffoli não havia se manifestado sobre os pedidos da CPMI.