Prefeito de Guanhães usou drones e servidores públicos para perseguir ex-mulher, diz MP

Prefeito de Guanhães é preso em investigação por violência doméstica, diz Polícia Civil Prefeitura de Guanhães O prefeito de Guanhães, Evandro Lott Mor...

Prefeito de Guanhães usou drones e servidores públicos para perseguir ex-mulher, diz MP
Prefeito de Guanhães usou drones e servidores públicos para perseguir ex-mulher, diz MP (Foto: Reprodução)

Prefeito de Guanhães é preso em investigação por violência doméstica, diz Polícia Civil Prefeitura de Guanhães O prefeito de Guanhães, Evandro Lott Moreira (Republicanos), usou funcionários da prefeitura e até drones para perseguir e monitorar a ex-mulher após não aceitar o fim do relacionamento. A acusação faz parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que também acusa o político de ameaça de morte, violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo. Ele está preso preventivamente desde 1º de abril. Além de pedir a manutenção da prisão, o MP solicitou à Justiça a abertura de novas investigações para apurar outros possíveis crimes, como tentativa de feminicídio, abuso de autoridade e "rachadinha". 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 Vales no WhatsApp Ameaças Conforme as investigações, o ex-chefe do poder executivo municipal teria enviado à vítima, por meio de um aplicativo de mensagens, a imagem de uma arma de fogo. Em outra ocasião, em conversa gravada pela ex-mulher, o prefeito afirmou que não aceitava a separação, dizendo que iria “reconquistá-la” e que “ela não seria de mais ninguém”. Ainda segundo a denúncia, ele relatou que, em situação anterior, quando acreditou ter sido traído, “teve vontade de matá-la”. Prefeito interino toma posse em Guanhães Uma testemunha afirmou que o prefeito também teria feito grave ameaça de morte ao declarar que, “por qualquer 20 ou 30 mil”, poderia “sumir com ela e com ele”, em referência à vítima e ao atual companheiro dela. Perseguição De acordo com o MP, Evandro Lott Moreira perseguiu a ex-companheira de forma livre, consciente e reiterada, perturbando a liberdade e a privacidade da vítima por meio de vigilância constante, ameaças e monitoramento de seus movimentos. A denúncia aponta que a perseguição foi intensificada com o uso de funcionários públicos subordinados ao prefeito e, conforme relato de uma testemunha, com a utilização de equipamentos de vigilância, como drones. A conduta foi enquadrada como perseguição qualificada, por ter sido praticada contra mulher no contexto de violência doméstica e familiar, conforme a Lei Maria da Penha. Violência psicológica Para o MPMG, o prefeito causou dano emocional à ex-mulher, prejudicando seu pleno desenvolvimento e autodeterminação por meio de coação, isolamento, vigilância constante, perseguição, constrangimento, manipulação e controle. A denúncia relata que, em 2024, durante a campanha eleitoral, Evandro Lott Moreira pressionou a então companheira para que não tornasse pública a intenção de se separar, alegando a necessidade de apoio de igrejas evangélicas. Ainda conforme a Procuradoria, o prefeito utilizou em sua campanha política relatos de abusos sexuais sofridos pela vítima na infância e adolescência, expondo a ex-mulher publicamente e causando profundo constrangimento. O documento aponta também que ele obrigava a vítima a manter uma aparência pública de relacionamento mesmo após a separação e comentava com terceiros que ela estaria “louca”. Posse de armas e prisão Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram apreendidos um revólver calibre .38 em um cofre no quarto do prefeito e uma espingarda calibre .36 em uma propriedade rural vinculada a ele. Para o Ministério Público, a prisão preventiva deve ser mantida diante da periculosidade do denunciado, do risco de obstrução da Justiça e da possibilidade de coação de testemunhas. Em nota enviada ao g1 à época da prisão, a defesa de Evandro Lott Moreira afirmou que ele colaborou com as autoridades, não ofereceu resistência à prisão e entregou voluntariamente o celular para perícia. Os advogados disseram discordar da decisão judicial, negaram a prática de qualquer tipo de violência e informaram que adotariam medidas judiciais para tentar reverter a prisão. Vídeos do Leste e Nordeste de Minas Gerais Veja outras notícias da região em g1 Vales de Minas Gerais.