Pontos cegos aumentam risco de acidentes nas estradas
Ano novo, estrada cheia: atenção aos pontos cegos que podem causar acidentes Começo de ano é sinônimo de estradas cheias e de riscos que nem sempre estão ...
Ano novo, estrada cheia: atenção aos pontos cegos que podem causar acidentes Começo de ano é sinônimo de estradas cheias e de riscos que nem sempre estão à vista. Bagageiro lotado. Viajar nas férias é uma alegria. Mas pegar a estrada... “Nas férias agora é muito cuidado, muita atenção, porque é muito carro”, diz a empresária Maria Gorete de Almeida. A Operação Ano Novo, da Polícia Rodoviária Federal, vai até domingo (4). No feriadão de Natal, a PRG registrou mais de 5,1 mil veículos acima do limite de velocidade e mais de 4,1 mil ultrapassagens em local proibido. A falta de visibilidade é uma das preocupações. “O retrovisor não consegue cobrir todos os detalhes. Qualquer mudança de faixa que você faça, seja em qualquer tipo de veículo, você tem que se cercar de toda a atenção possível para que ao seu lado não tenha um outro veículo, não tenha uma motocicleta”, afirma Marcus Vinicius Silva de Almeida, diretor de Operações da PRF. Até mesmo motoristas profissionais, experientes, como é o caso de muitos caminhoneiros, podem ser surpreendidos com os pontos cegos. O caminhoneiro não tem o auxílio do retrovisor interno, porque a carroceria impede a visão de trás. As colunas da cabine também dificultam a visibilidade, e os retrovisores externos têm limitações. “Aqui não tem nenhum veículo à vista, nem no espelho. Do lado esquerdo também não. Mas é um engano. Olha só, tem um carro aí ao lado. Na verdade, o caminhão está cercado, tem até uma motocicleta aqui do lado. Dependendo da distância e do ângulo, esses veículos ficam totalmente invisíveis. São pelo menos quatro pontos cegos, como a gente mostra nas áreas mais escuras. Tudo dentro delas não aparece nos retrovisores do caminhão”, relata o repórter Ismar Madeira. Por isso, todo caminhoneiro habilidoso sabe a importância do cuidado, especialmente ao mudar de faixa. “Observa a seta, está piscando? Ele vai mudar de faixa. Ou você, se tiver possibilidade, arranca logo e passa dele para ele te ver ou então você freia e deixa o caminhão entrar. Porque quando ele começa a se encostar, amigo, ele não vai parar, porque ele não está te vendo”, diz o caminhoneiro Frank Pinheiro Nobre. Pontos cegos aumentam risco de acidentes nas estradas Jornal Nacional/ Reprodução O caminhoneiro José Macedo até instalou um retrovisor extra para aumentar o campo de visão: “A gente consegue ver a parte mais próxima da cabine”, conta. Modelos mais modernos contam com sensores e câmeras que têm a função exatamente de identificar o que está nos pontos cegos e avisar ao motorista, reduzindo o risco de acidentes. Ônibus também têm ponto cego. Em algumas cidades, eles carregam até um aviso: “Atenção, o motorista pode não estar vendo você”. Nos carros de passeio, os pontos cegos são nas laterais. Eles ficam fora do alcance dos retrovisores do carro do meio. Paulo Guimarães, engenheiro de tráfego do Observatório Nacional de Segurança Viária, explica que um ajuste pode minimizar o problema: “Você pode se posicionar próximo à janela e aí vai tirar o retrovisor, vai colocar ele o mais para fora possível. A ideia é que, nessa posição, quando você retornar para a posição inicial, você não veja a lateral do veículo”. Na altura, centralize o meio da pista, na linha do horizonte. Para ajustar o retrovisor direito, também afaste o espelho até que não apareça quase nada da traseira do carro. A altura é a mesma do outro. E, mesmo assim, confira a lateral ao trocar de pista. “E aí eu vou olhar por cima do meu ombro para conferir esse restante de área que acaba não sendo coberta pelo retrovisor”, diz Paulo Guimarães. O motorista André Luiz Camejean, que levou uma turma pra Ilhabela, no litoral paulista, diz que toma esses cuidados e, claro, segue as regras de trânsito: “Ver direitinho a sinalização, ver qual que é a posição, se você pode ultrapassar, se você não pode. Então, esses cuidados você tem que estar redobrado”. Aí, sim, dá para curtir a viagem.