Polícia aponta motivo fútil e afasta legítima defesa alegada por bombeiro em morte de estudante de medicina após briga de trânsito

Briga de trânsito que terminou em morte em SP: vídeo mostra carros de estudante e bombeiro A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (2) o inquérito que in...

Polícia aponta motivo fútil e afasta legítima defesa alegada por bombeiro em morte de estudante de medicina após briga de trânsito
Polícia aponta motivo fútil e afasta legítima defesa alegada por bombeiro em morte de estudante de medicina após briga de trânsito (Foto: Reprodução)

Briga de trânsito que terminou em morte em SP: vídeo mostra carros de estudante e bombeiro A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (2) o inquérito que investiga a morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, baleado após uma discussão de trânsito em Taubaté (SP). No relatório final, a polícia indiciou o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira por homicídio qualificado por motivo fútil e por uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. A Polícia Civil também afastou a versão de legítima defesa apresentada pelo bombeiro. O crime aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. Segundo a conclusão da Polícia Civil, Bruno e Marcos trafegavam pela avenida quando se envolveram em um desentendimento no trânsito. De acordo com o relatório, Marcos desceu do Jeep Renegade que dirigia, foi até o carro de Bruno e passou a golpear o vidro da porta do motorista até quebrá-lo. Na sequência, ainda segundo a polícia, o bombeiro fez disparos a curta distância contra o estudante. Bruno foi atingido por quatro tiros, sendo um no pescoço, dois no tórax e um no braço esquerdo. Segundo o relatório, mesmo ferido, ele abriu a porta do carro e tentou fugir a pé, mas não resistiu aos ferimentos. Procurada, a defesa de Marcos Paulo informou que vai contestar o inquérito. Leia também: Mãe de estudante morto em briga de trânsito em Taubaté pede justiça: 'As balas do Bruno estão em mim' Bombeiro há 10 anos e histórico de denúncias por ameaça e violência: saiba quem é o militar que matou estudante de medicina a tiros em SP Bombeiro acusado de matar estudante a tiros já se envolveu em confusão no trânsito em 2021 Estudante de Medicina morto por bombeiro em Taubaté foi baleado quatro vezes; tiros atingiram pescoço, tórax e braço Vídeo mostra carros de estudante de medicina e bombeiro lado a lado antes de briga de trânsito que terminou em morte Bombeiro Marcos Fujarra e estudante Bruno Hashimura, morto a tiros em Taubaté. Foto 1: Reprodução/TV Vanguarda. Foto 2: Reprodução/Unama Santarém Polícia afasta legítima defesa Em depoimento, Marcos afirmou que acreditou estar diante de uma tentativa de assalto e disse ter agido em legítima defesa. Segundo o bombeiro, Bruno estaria com um objeto metálico que parecia uma arma de fogo. Marcos também alegou que o estudante teria tentado atacá-lo com uma faca. A Polícia Civil, no entanto, concluiu que os elementos reunidos durante a investigação não sustentam a versão de legítima defesa. O relatório destaca que nenhuma arma de fogo foi encontrada com Bruno e que testemunhas oculares não viram o estudante empunhando arma de fogo ou faca. A polícia também considerou que foi Marcos quem desceu do próprio veículo, se aproximou do carro de Bruno e quebrou o vidro antes dos disparos. Mãe de estudante morto em briga de trânsito em SP pede justiça: 'As balas estão em mim' O que disseram as testemunhas Testemunhas oculares ouvidas durante o inquérito relataram à Polícia Civil que Marcos se aproximou do carro de Bruno, quebrou o vidro e fez os disparos. Segundo o relatório, nenhuma delas afirmou ter visto Bruno com uma arma de fogo ou faca nas mãos. Uma das testemunhas também reconheceu Marcos formalmente por meio de fotografia. A mulher do bombeiro também prestou depoimento. Ela afirmou acreditar que a situação poderia se tratar de uma tentativa de assalto, mas, segundo o relatório, disse não ter certeza sobre qual objeto Bruno teria em mãos e reconheceu que não presenciou diretamente os disparos. Bombeiro há 10 anos e histórico de denúncias por ameaça e violência: saiba quem é o militar que matou estudante de Medicina a tiros em SP Reprodução/TV Vanguarda Canivete encontrado no carro Durante a ocorrência, os policiais encontraram um canivete retrátil de cabo azul dentro do carro de Bruno. O celular do estudante também foi apreendido. O canivete foi recolhido para perícia. O objeto faz parte dos elementos analisados na investigação. Com Marcos, a polícia apreendeu uma pistola Taurus calibre .380 e 14 cartuchos. Também foram requisitados exames necroscópico e residuográfico, além de perícias no local do crime, nos veículos e na arma apreendida. Estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano corre após ser baleado por bombeiro em Taubaté Reprodução Ocorrências anteriores O relatório final também cita duas ocorrências anteriores envolvendo Marcos em desentendimentos no trânsito, ambas registradas em 2021. Uma delas ocorreu em Caçapava e envolveu uma investigação por ameaça e dano. Segundo o relatório, Marcos teria descido armado do veículo e danificado o carro de outro motorista. O caso foi arquivado por falta de provas. A outra ocorrência foi registrada em São José dos Campos. Segundo o documento, Marcos teria se identificado como policial militar e sacado uma arma de fogo durante um desentendimento com outro motorista. O relatório ressalta que o bombeiro não possui condenações criminais transitadas em julgado relacionadas aos episódios. A defesa de Marcos já havia afirmado que ocorrências anteriores envolvendo o cliente foram arquivadas e defendeu que fatos anteriores sejam tratados dentro de seu contexto jurídico, especialmente quando não resultaram em denúncia ou ação penal. Estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, morreu após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. Arte g1 Polícia pede prisão preventiva Marcos foi preso em flagrante após a morte de Bruno, mas recebeu liberdade provisória após passar por audiência de custódia. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do bombeiro. No relatório final do inquérito, os delegados responsáveis pela investigação também reiteraram a representação pela prisão preventiva de Marcos. Segundo a Polícia Civil, a medida é necessária para garantia da ordem pública. O relatório aponta que há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria para o indiciamento por homicídio qualificado. A conclusão do inquérito e o indiciamento não representam uma condenação. O caso segue para análise do Ministério Público e da Justiça. Bruno Hashimura, de 23 anos, e registro do estudante correndo após ser baleado em Taubaté (SP) Foto 1: Cedida pela família. Foto 2: Reprodução O que diz a defesa Em nota enviada anteriormente ao g1, a defesa de Marcos Paulo afirmou que as ocorrências anteriores mencionadas na investigação foram arquivadas e não resultaram em denúncia do Ministério Público ou em processo criminal contra o bombeiro. Sobre um dos episódios de 2021, a defesa afirmou que a versão atualmente apresentada não corresponde, segundo Marcos Paulo, ao que aconteceu. De acordo com o advogado, o bombeiro relatou que houve apenas uma discussão decorrente de uma situação de trânsito e que ele sequer teria descido do veículo. A defesa também afirmou que Marcos Paulo não tinha conhecimento da existência de um inquérito policial para apurar aquele episódio. Segundo o advogado Cláudio Rodrigues Moreira, fatos anteriores devem ser tratados com cautela e dentro de seu contexto jurídico, especialmente quando não resultaram em denúncia ou ação penal. O g1 procurou novamente a defesa após a conclusão do inquérito, que informou que vai contestar o documento. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina