Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia A Justiça de São Paulo decidiu, na sexta-feira (28), antecipar os efeitos da recupe...

Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial
Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial (Foto: Reprodução)

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia A Justiça de São Paulo decidiu, na sexta-feira (28), antecipar os efeitos da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e suspender, por 180 dias, as ações de cobrança e execuções contra a empresa. A medida busca evitar que credores retirem recursos da companhia enquanto ela tenta reorganizar suas finanças. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O grupo varejista entrou com pedido de recuperação judicial na semana passada. A medida abrange a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Corrida de credores motivou decisão Na decisão, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira considerou o argumento apresentado pela companhia de que, após o pedido de recuperação judicial, houve uma "corrida de credores" para tentar receber valores da empresa. Em poucos dias, cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados por decisões judiciais. Para a magistrada, deixar a empresa sem proteção nesse momento poderia comprometer a recuperação financeira e colocar em risco a continuidade das operações. Por isso, ela antecipou os efeitos da recuperação judicial antes mesmo da análise definitiva do pedido, concedendo o chamado stay period. 🔎 O stay period é a suspensão temporária das cobranças judiciais contra uma empresa em recuperação judicial, permitindo que ela negocie suas dívidas e tente reorganizar suas finanças. No caso da Casas Bahia, a Justiça determinou que o prazo de 180 dias seja contado a partir de 19 de agosto de 2026, com término previsto para 15 de fevereiro de 2027. Durante esse período, ficam suspensas a maioria das ações e execuções contra o grupo, embora a medida não alcance, por exemplo, execuções fiscais e alguns créditos que, por lei, não se submetem à recuperação judicial. Antes de decidir se aceita definitivamente o pedido de recuperação judicial, a Justiça determinou a realização de uma constatação prévia. Nessa etapa, uma empresa especializada fará uma análise da documentação e da situação financeira do grupo. O laudo deverá ser entregue em até 30 dias. Bancos e credenciadoras terão de liberar acesso a recursos A decisão também obriga o BTG Pactual a restabelecer o acesso da Casas Bahia às suas contas bancárias e determina que as empresas de meios de pagamento Cielo, Getnet e Redecard deixem de reter recursos da companhia apenas em razão do pedido de recuperação judicial. Caso descumpram a decisão, as instituições poderão pagar multa diária de R$ 100 mil. A Justiça também homologou a desistência de pedidos feitos pela empresa contra o Banco do Brasil, rejeitou o pedido do banco para aplicar multa por má-fé processual e autorizou a participação de entidades sindicais como terceiras interessadas no processo. Na petição inicial, a Casas Bahia afirmou que o Banco do Brasil figurava como garantidor de contratos firmados pela varejista com a Apple e a Mapfre Seguros. De acordo com a empresa, após o pedido de recuperação judicial, essas garantias teriam sido acionadas pelos credores. Em seguida, segundo a companhia, o banco teria descontado cerca de R$ 422 milhões das contas do grupo para ressarcir os valores desembolsados. O Banco do Brasil contestou a versão da Casas Bahia. Segundo a instituição, o desconto de R$ 422 milhões nas contas da empresa nunca foi realizado. O banco também afirmou que a varejista apresentou informações incorretas à Justiça e pediu que ela fosse punida por agir de forma desleal no processo, ao fazer uma alegação que, segundo a instituição, não correspondia aos fatos. O g1 procurou a Casas Bahia e o Banco do Brasil para comentar o processo. Até a publicação desta reportagem, a varejista não havia se manifestado. O BB informou que não comentará o caso. Juros altos e falta de crédito pressionaram a empresa Unidade da Casas Bahia: três lojas foram fechadas no Espírito Santo Varejo/Divulgação O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua estrutura financeira. A empresa atribui a decisão ao cenário de juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa. Segundo a companhia, tentativas de captar novos recursos, incluindo negociações com investidores nacionais e internacionais e uma possível oferta de ações, não avançaram, levando à necessidade de recorrer à recuperação judicial. O pedido ocorre após cerca de três anos de medidas para tentar reverter a crise. Desde 2023, a varejista fechou lojas consideradas deficitárias, cortou milhares de postos de trabalho e implementou um plano de redução de custos e aumento da eficiência. Em 2024, renegociou R$ 4,1 bilhões em dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, mas avaliou que a piora do ambiente econômico impediu a recuperação das finanças. Já em agosto deste ano, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. Segundo a varejista, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuarão funcionando normalmente durante o processo, que também busca preservar mais de 20 mil empregos.