Falso advogado é indiciado por aplicar golpes e causar prejuízo de R$ 19 mil em Boa Vista

2º Distrito Policial, em Boa Vista (RR). PCRR/Divulgação Um homem de 49 anos, que não teve a identidade divulgada, foi indiciado pela Polícia Civil por se ...

Falso advogado é indiciado por aplicar golpes e causar prejuízo de R$ 19 mil em Boa Vista
Falso advogado é indiciado por aplicar golpes e causar prejuízo de R$ 19 mil em Boa Vista (Foto: Reprodução)

2º Distrito Policial, em Boa Vista (RR). PCRR/Divulgação Um homem de 49 anos, que não teve a identidade divulgada, foi indiciado pela Polícia Civil por se passar por advogado e aplicar golpes contra pelo menos nove pessoas em Boa Vista. O prejuízo causado por ele é estimado em cerca de R$ 19 mil. A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira (17). A investigação, concluída pelo 2º Distrito Policial, apontou que o homem prometia resolver ações judiciais, conseguir indenizações e liberar benefícios financeiros, mas recebia pagamentos antecipados e não prestava os serviços. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 🔎 O que é indiciar? É um procedimento que ocorre quando a Polícia Civil, com base na investigação, conclui que há indícios de crime e associa a uma pessoa. Depois disso, o procedimento é encaminhado ao Ministério Público, que pode apresentar denúncia à Justiça. Agora no g1 Os primeiros casos investigados ocorreram em 30 de abril de 2025, quando uma mulher de 65 anos teve prejuízo de R$ 500. Segundo o delegado Vinicius do Vale Oliveira, responsável pela investigação, a identificação de outros casos foi fundamental para mostrar que não se tratava de uma ocorrência isolada. “A repetição do mesmo modo de atuação foi um dos principais elementos que nos permitiram perceber que estávamos diante de uma sequência de fraudes praticadas pela mesma pessoa”, explicou o delegado. Em 23 de novembro de 2025, outra mulher teve prejuízo estimado em R$ 2 mil. Em 2 de dezembro, outros dois casos foram registrados. Uma mulher de 51 anos perdeu cerca de R$ 3 mil, enquanto um homem de 44 anos teve prejuízo de aproximadamente R$ 6 mil. Parte dos pagamentos foi comprovada por transferências via Pix e valores entregues em espécie. O caso foi denunciado à polícia pela vítima de 51 anos, em maio de 2026. A mulher relatou que havia contratado o falso advogado para atuar em uma ação relacionada à morte do filho em um acidente de trânsito. Acreditando que ele era advogado, entregou mais de R$ 3 mil entre supostos honorários e despesas do processo. Ela também chegou a indicá-lo para familiares e conhecidos. O companheiro dela, de 44 anos, relatou que também contratou os serviços e entregou aproximadamente R$ 6 mil ao investigado. Segundo a Polícia Civil, o homem apresentou um documento que aparentava comprovar o recebimento dos valores e chegou a orientá-lo a comparecer ao Banco do Brasil para sacar uma quantia que supostamente teria direito a receber. A análise policial, porém, constatou que o documento correspondia a outra situação. Suspeito se aproveitava das vítimas Após as denúncias, o delegado instaurou um inquérito policial em 26 de maio de 2026. A equipe cruzou as informações das vítimas e analisou comprovantes de pagamentos e documentos entregues pelo investigado. A consulta à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) confirmou que ele não tinha inscrição válida na entidade. A investigação também apontou que o homem usou indevidamente o número de registro de outro advogado. “Essa confirmação foi importante para a investigação porque demonstrou que a condição de advogado apresentada às vítimas era falsa. Ele utilizava essa falsa identidade profissional justamente para conquistar credibilidade”, informou o delegado. Durante a investigação, a polícia identificou outros quatro casos. Em 2 de fevereiro de 2026, uma mulher de 48 anos teve prejuízo estimado em R$ 500. Em 6 de março, um homem de 49 anos perdeu aproximadamente R$ 5 mil. No dia 15 de março, outra mulher teve prejuízo de R$ 900. Já em 17 de abril, uma mulher de 28 anos também perdeu R$ 500. O último caso identificado ocorreu em 7 de maio de 2026, quando outra mulher teve prejuízo de R$ 550. Com isso, a Polícia Civil identificou nove vítimas e constatou a mesma dinâmica nos golpes: o investigado se apresentava como advogado, oferecia soluções para problemas judiciais e cobrava valores antecipados por supostos honorários, custas ou despesas. Depois de receber o dinheiro, não realizava o serviço. Segundo Vinicius do Vale, as vítimas estavam, em diferentes situações, emocional ou financeiramente vulneráveis. “Ele se aproveitava de pessoas que procuravam uma solução para problemas importantes de suas vidas. A promessa de conseguir uma indenização, resolver uma ação ou obter algum benefício fazia com que essas pessoas acreditassem que estavam diante de um profissional habilitado”, destacou. A investigação apontou que, depois de receber os valores, o homem deixava de prestar os serviços prometidos, dificultava o contato com as vítimas ou apresentava justificativas para explicar a demora na solução dos processos. Em algumas situações, ele também apresentou documentos para dar aparência de legalidade às fraudes. Pedido de prisão preventiva O delegado pediu à Justiça a prisão preventiva do investigado no dia 10 de junho de 2026, além do bloqueio das contas bancárias dele para preservar recursos para eventual ressarcimento das vítimas. Segundo a Polícia Civil, o pedido de prisão não foi deferido pela Justiça, mas o bloqueio das contas foi determinado e efetuado. O homem foi indiciado por nove crimes de estelionato e pela contravenção penal de exercício ilegal da profissão. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) para análise e adoção das medidas cabíveis. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.