Ex-delegado da PF é condenado pela Justiça Federal no Rio

Operação da PF mira agentes suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro A juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, conde...

Ex-delegado da PF é condenado pela Justiça Federal no Rio
Ex-delegado da PF é condenado pela Justiça Federal no Rio (Foto: Reprodução)

Operação da PF mira agentes suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro A juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou o ex-delegado federal Wallace Noble por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A condenação é de 14 anos, 6 meses e 15 dias de prisão, em regime fechado, além do pagamento de 341 dias-multa, que resulta em um total de R$ 130 mil. A decisão é de 8 de junho. Wallace Noble poderá recorrer em liberdade. O g1 procura pela defesa do ex-delegado. Wallace Noble foi preso em outubro de 2020. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também tiveram como alvo, na ocasião, a investigação de empresários suspeitos de pagar propina para policiais e servidores em troca de proteção em investigações. Advogados apontados como intermediários das cobranças de vantagens indevidas também foram investigados. Delegado Wallace Noble, demitido pelo ministro da Justiça, Flávio Dino Reprodução De acordo com as apurações, o delegado recebeu entre novembro de 2016 e abril de 2017, R$ 480 mil para "atuar", segundo interesses de empresários, na condução de um inquérito em que empresas eram investigadas pela Delegacia da PF, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. Na época, duas empresas eram investigadas sob suspeita de fraude à licitação. Wallace Noble teria atuado a favor dos empresários para viabilizar o arquivamento do inquérito. As investigações apontam que, a partir de maio de 2017 até agosto de 2018, Wallace Noble passou a receber uma mesada de R$ 5 mil de um empresário. Os valores da propina mensal foram substituídos pela cessão de um imóvel de propriedade da família do empresário. A partir de 23 de agosto, de acordo com as investigações, o delegado passou a residir no local sem pagar o aluguel. O MPF considera que a troca de propina pelo imóvel seria a forma encontrada para tentar omitir o benefício e dificultar a investigação. Em 4 de julho de 2018, o delegado foi convocado para cumprir mandado de busca e apreensão contra uma empresária investigada pela Delegacia de Crime Organizado, da PF. Após cumprir o mandado, Wallace procurou pelos investigados e prometeu, segundo a investigação, se valer do cargo de delegado federal para influir no inquérito mesmo não sendo um dos delegados que conduzia a apuração. Pelo "serviço", o delegado Wallace teria recebido R$ 930 mil, entre julho e dezembro de 2018. Em setembro de 2023, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, demitiu Wallace Noble, lotado na Polícia Federal do Rio de Janeiro. A condenação atual Na decisão, a juíza Caroline Figueiredo tratou das apurações da Polícia Federal e do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal no Rio que apontaram que o patrimônio ocultado por Wallace Noble teve origem em crimes anteriores de corrupção. A partir de 2016, segundo as investigações, o ex-policial ocultou a aplicação de, pelo menos, R$ 92,9 mil em uma academia da qual era sócio. Para esconder sua participação no negócio e desvincular os recursos ilegais de seu nome, as quotas da empresa foram registradas em nome de sua então companheira. Wallace Noble teria ainda adquirido um veículo com pagamentos mensais de R$ 10 mil num total de R$ 130 mil que, segundo as investigações, não tinha como justificar o pagamento considerando apenas a sua renda. Tentando dar uma aparência de legalidade aos negócios, o delegado atuou na emissão de notas fiscais e promissórias falsas levando ao crime de falsidade ideológica. Houve ainda a aquisição de outros veículos pelo então policial. As investigações encontraram a confecção de 40 notas promissórias falsas. Para o MPF, a investigação encontrou "agentes públicos envolvidos – em razão da função exercida na condução de inquéritos policiais em curso naquela Superintendência – em evitar que as apurações em tramitação alcançassem os empresários que aceitassem efetuar o pagamento de valores vultuosos de propina para o grupo criminoso". Agentes da Polícia Federal cumprem mandados na Operação Tergiversação 2 Erick Rianelli / TV Globo