Evitar três fatores durante a meia-idade está associado a mais 13 anos sem demência; saiba quais

Evitar hipertensão, diabetes e cigarro na meia-idade pode garantir quase 13 anos a mais sem demência, aponta estudo Adobe Stock Manter a pressão arterial sob...

Evitar três fatores durante a meia-idade está associado a mais 13 anos sem demência; saiba quais
Evitar três fatores durante a meia-idade está associado a mais 13 anos sem demência; saiba quais (Foto: Reprodução)

Evitar hipertensão, diabetes e cigarro na meia-idade pode garantir quase 13 anos a mais sem demência, aponta estudo Adobe Stock Manter a pressão arterial sob controle, não desenvolver diabetes e não fumar entre os 45 e os 65 anos pode representar uma diferença de quase 13 anos de vida livre de demência. É o que mostra um estudo publicado na revista científica Neurology Open Access, que acompanhou mais de 12 mil pessoas por cerca de 26 anos e concluiu que esses três fatores de risco cardiovascular estão associados tanto ao aparecimento mais precoce da doença quanto à redução do tempo vivido sem demência. Além da diferença expressiva no tempo de vida sem a doença, a pesquisa identificou que mulheres permaneceram mais tempo livres de demência do que homens e que participantes brancos apresentaram uma expectativa maior de anos sem a doença em comparação com participantes negros. Segundo os autores, os resultados reforçam a importância da prevenção dos fatores de risco cardiovascular ainda na meia-idade e sugerem que estratégias direcionadas podem beneficiar especialmente grupos mais vulneráveis. Quais fatores aumentam o risco? O estudo concentrou a análise em três fatores de risco cardiovascular presentes na meia-idade: hipertensão arterial, diabetes e tabagismo. Segundo os pesquisadores, esses fatores não afetam apenas a saúde do coração e dos vasos sanguíneos, mas também estão relacionados ao desenvolvimento da demência ao longo do envelhecimento. Agora no g1 "Nossos resultados indicam que as pessoas precisam evitar ativamente esses fatores na meia-idade como estratégia para preservar a saúde cerebral por mais de uma década", afirmou Josef Coresh, pesquisador sênior do estudo e diretor fundador do Instituto de Envelhecimento Ideal da NYU Langone. O pesquisador destaca que retardar o surgimento da demência se torna cada vez mais relevante diante do envelhecimento da população. Segundo ele, cerca de 42% dos americanos correm o risco de desenvolver a doença em algum momento após os 55 anos. Como o estudo foi realizado A pesquisa utilizou informações do estudo comunitário ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), iniciado em 1986 para acompanhar fatores de risco vasculares e seus impactos sobre a saúde ao longo de décadas. Os pesquisadores analisaram dados de 12.409 participantes, com idade média de 56 anos, que não apresentavam demência no início do acompanhamento. Todos foram classificados de acordo com a presença de hipertensão arterial, diabetes e tabagismo durante a meia-idade. Depois dessa avaliação inicial, os participantes foram acompanhados por uma média de 26 anos para verificar quem desenvolveria demência e quem morreria sem apresentar a doença. Ao longo do acompanhamento: 3.008 participantes desenvolveram demência; 5.238 morreram sem desenvolver a doença. Quase 13 anos a mais sem demência Os resultados mostraram uma diferença marcante entre os participantes conforme a quantidade de fatores de risco cardiovasculares presentes na meia-idade. As pessoas que não tinham hipertensão, diabetes nem fumavam viveram, em média, cerca de 30 anos sem desenvolver demência após o início do estudo. Já aquelas que reuniam os três fatores de risco viveram, em média, aproximadamente 17 anos livres da doença. Na prática, a diferença entre os dois grupos chegou a quase 13 anos de vida sem demência. Segundo os autores, esses achados destacam o duplo impacto dos fatores de risco cardiovasculares: além de estarem associados ao aparecimento mais precoce da demência, eles também reduzem a expectativa de vida livre da doença. Mulheres permaneceram mais tempo livres da doença A análise também revelou diferenças entre homens e mulheres. Mesmo entre aqueles que apresentavam hipertensão, diabetes e tabagismo, as mulheres viveram mais tempo sem desenvolver demência. Nesse grupo: mulheres permaneceram, em média, 18,1 anos livres da doença; homens permaneceram 16,6 anos. Segundo os pesquisadores, essa vantagem feminina foi observada independentemente da quantidade de fatores de risco cardiovasculares presentes. Diferenças também apareceram entre grupos raciais O estudo identificou ainda diferenças entre participantes brancos e negros. Entre aqueles que apresentavam os três fatores de risco: participantes brancos viveram, em média, 19,6 anos sem demência; participantes negros viveram cerca de 16 anos. Para Josef Coresh, os resultados indicam que reduzir os fatores de risco cardiovasculares pode beneficiar toda a população, mas sugerem que adultos negros podem ganhar ainda mais com políticas e estratégias de prevenção direcionadas. "Esses resultados sugerem que a redução do risco vascular pode beneficiar todos os grupos, mas que certas populações, como adultos negros, podem se beneficiar especialmente de esforços de prevenção direcionados", afirmou o pesquisador. Ele acrescentou que espera que os resultados incentivem as pessoas a abandonar o cigarro e acompanhar de perto a saúde vascular a partir dos 45 anos. O estudo não comprova causa e efeito Os autores ressaltam que os resultados não demonstram que evitar hipertensão, diabetes e tabagismo seja a causa direta do atraso no surgimento da demência. Segundo eles, o estudo mostra apenas uma associação entre esses fatores e um maior tempo de vida livre da doença. Ou seja, os dados indicam que os fatores estão relacionados, mas não permitem afirmar uma relação de causa e efeito. Outra limitação apontada pelos pesquisadores é que hipertensão, diabetes e tabagismo foram avaliados apenas uma vez, no início do acompanhamento. Assim, mudanças ocorridas ao longo dos anos — como deixar de fumar, controlar a pressão arterial ou desenvolver diabetes posteriormente — não foram registradas nem consideradas nas análises finais.