Empresário que fez repasses para Dark Horse disse em delação que 'gerava' dinheiro vivo para Vorcaro e entregava em malas
Banco Master Reprodução/TV Globo O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com...
Banco Master Reprodução/TV Globo O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que tinha a função de "gerar" dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antonio Carlos disse às autoridades que movimentou em torno de R$ 1,3 bilhão de 2020 a 2025 para o ex-banqueiro. "Os pedidos para geração de recursos em espécie eram realizados inicialmente por Daniel Vorcaro e, posteriormente, por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Os valores eram entregues por Antonio Carlos para Fabiano Zettel em malas contendo entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, mas houve situações em que as retiradas foram realizadas pelos motoristas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel", disse o empresário, segundo o blog apurou. Entre os elementos de corroboração que ele entregou para confirmar seu relato estavam os recibos das diversas malas que comprou pela internet para guardar o dinheiro. Segundo Antonio Carlos, os valores eram "solicitados provavelmente para pagamento de comissões e vantagens indevidas". O dono da Entre Investimentos assinou acordo de delação premiada com a PGR em 8 de agosto, após cerca de quatro meses de negociações. A PGR já encaminhou o acordo para homologação do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A Entre Investimentos é também a empresa que, por ordem de Vorcaro, fez repasses ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, para bancar o filme Dark Horse. Os repasses foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente, que nega irregularidades no caso. 'Geração' de dinheiro vivo À PGR, Antonio Carlos explicou como funcionava o esquema. Segundo ele, o dinheiro vivo era solicitado por Vorcaro ou pessoas ligadas a ele, como Zettel e seu ex-sócio Augusto Lima, também investigados no STF. Os pedidos eram feitos por WhatsApp. Para conseguir o dinheiro em espécie, Antonio Carlos entrava em contato, também por WhatsApp, com três operadores. Em seguida, fazia transferências bancárias para empresas indicadas por esses operadores — uma delas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo. "Os pagamentos realizados por Antonio Carlos para operadores com a finalidade de gerar valores em espécie eram geralmente formalizados por meio de contratos de mútuo firmados com a empresa Entre Investimentos", disse o delator. Segundo Antonio Carlos, os operadores conseguiam o dinheiro em espécie por meio de contatos no Brás, no Centro de São Paulo, e no setor de combustíveis. Depois, entregavam os valores a ele na sede da Entre Investimentos, na Rua Iguatemi, no Itaim Bibi, na capital paulista. Antonio Carlos disse, então, que combinava a entrega das malas a Zettel pelo WhatsApp, geralmente no mesmo dia, para evitar riscos com o armazenamento. Isso era feito no estacionamento do prédio da Entre, que ficava no subsolo, ou na garagem do prédio onde Zettel morava, também no Itaim Bibi. Antonio Carlos e os operadores que obtinham o dinheiro vivo ganhavam um percentual pelo trabalho: 1% e 4%, respectivamente. Para comprovar seus relatos, o empresário apresentou às autoridades, além das notas fiscais das malas, os contratos de mútuo (contratos de empréstimo) simulados com a empresa Entre para justificar os pagamentos, os registros das transferências bancárias para os operadores e uma tabela com os valores e as datas de todas as transferências. Também foram apresentados vídeos das câmeras internas da Entre que flagravam a movimentação das malas e os nomes dos motoristas que as buscavam. O que dizem os investigados Procurado, o advogado de Antonio Carlos, Marco Petrelluzzi, afirmou que não poderia se manifestar por causa da confidencialidade do acordo de delação. O advogado Daniel Bialski, que representa Daniel Vorcaro, não se manifestou sobre o relato de Antonio Carlos. A defesa de Fabiano Zettel não foi localizada.