De David Soares a Gilberto Nascimento: lideranças religiosas e candidatos ligados a igrejas não conseguem se eleger em SP
David Soares, Edna Macedo e Gilberto Nascimento Montagem/Divulgação/Câmara dos Deputados/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Lideranças religiosas tradici...
David Soares, Edna Macedo e Gilberto Nascimento Montagem/Divulgação/Câmara dos Deputados/Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Lideranças religiosas tradicionais, parlamentares veteranos e representantes de algumas das principais igrejas do país não conseguiram se eleger em São Paulo nas eleições de 2026. Entre os derrotados estão o líder da bancada evangélica no Congresso, Gilberto Nascimento, a deputada estadual Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, e o deputado federal David Soares, filho do missionário R.R. Soares. As derrotas atingem nomes com décadas de atuação política e influência em algumas das principais denominações evangélicas do país, como a Assembleia de Deus, a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus. Delegado aposentado e pastor ligado à Assembleia de Deus, Gilberto Nascimento (Podemos) foi um dos primeiros parlamentares evangélicos de destaque no país. Ele iniciou a carreira política em 1982 como vereador da capital, foi deputado estadual por dois mandatos e exerceu quatro mandatos de deputado federal. Mesmo ocupando desde 2025 a presidência da Frente Parlamentar Evangélica, uma das mais influentes do Congresso Nacional, Nascimento não conseguiu se reeleger. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu 43.977 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Agora no g1 Outra liderança de longa trajetória derrotada nas urnas foi o Missionário José Olímpio (PL), da Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada por Valdemiro Santiago. Com passagens pelas câmaras municipais de Itu e São Paulo e pela Câmara dos Deputados, ele soma nove mandatos eletivos ao longo de mais de quatro décadas de vida pública. Neste ano, recebeu 52.030 votos e ficou fora do Congresso. Os irmãos David e Daniel Soares, filhos do missionário R. R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, também não conseguiram se eleger. David Soares, que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Podemos, recebeu 61.366 votos. Pastor e cantor gospel, ele acumula cinco mandatos consecutivos, sendo três como vereador da capital paulista e dois como deputado federal. LEIA TAMBÉM: Rubinho Nunes, Zoe Martínez, Adrilles Jorge e Janaína Paschoal: veja os vereadores de SP que não foram eleitos deputados PL fez maior bancada de deputados federais por SP, seguido por PT, Podemos e PSD; veja números Veja a lista completa de todos os deputados federais eleitos no estado de São Paulo em 2026 Já Daniel Soares (União) terminou a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa com 53.812 votos. Ele foi vereador de Guarulhos por dois mandatos e também exerceu dois mandatos como deputado estadual. Outro nome derrotado foi o vereador paulistano André Santos (Republicanos), que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e recebeu 71.621 votos. Bispo da Igreja Universal, ele atua em São Paulo desde a década de 1990 e ficou conhecido pela atuação no rádio à frente do programa De Frente com a Realidade. Irmã do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, Edna Macedo (Republicanos) também não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa. A parlamentar recebeu 55.086 votos. Edna foi deputada estadual entre 1995 e 2003 e chegou à Câmara dos Deputados em 2002 pelo Rio de Janeiro. Em São Paulo, voltou à Assembleia Legislativa ao ser eleita em 2018 e reeleita em 2022, mas acabou derrotada na disputa deste ano. A lista de derrotados inclui ainda a vereadora paulistana Pastora Sandra Alves (União Brasil), que disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados. Ministra evangélica, ela recebeu 63.744 votos. Sua trajetória política é recente: foi eleita vereadora de Boituva em 2020 e chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 2024. Durante a campanha, Sandra Alves ganhou visibilidade ao sair em defesa de Milton Leite, presidente municipal do União Brasil, após a operação que investigou a suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital. Deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) Renato Araújo/Câmara dos Deputados Outro nome de peso entre os derrotados foi o deputado federal Cezinha de Madureira (PL). Pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira e uma das principais lideranças evangélicas de São Paulo, ele recebeu 60.596 votos e não conseguiu retornar à Câmara dos Deputados. A campanha foi atravessada pela repercussão da Operação Transparência, da Polícia Federal, que o teve como alvo em 14 de setembro e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência junto a tribunais superiores. Jornalista e radialista, Cezinha exerceu mandato como deputado estadual antes de ser eleito deputado federal em 2018 e reeleito em 2022. Neste ano, trocou o PSD pelo PL durante a janela partidária, movimento apoiado por lideranças da igreja. Considerado um dos parlamentares evangélicos mais influentes do estado, ele integra a Assembleia de Deus Ministério de Madureira, ligada ao bispo Samuel Ferreira. Candidaturas ligadas ao catolicismo também ficam sem vaga As eleições de 2026 também terminaram sem espaço para candidaturas associadas ao catolicismo. Entre os derrotados estão Padre Kelmon (PL) e Padre Silvio Andrei (Avante), que disputaram vagas na Câmara dos Deputados. Padre Kelmon recebeu 21.411 votos para deputado federal. Natural de Acajutiba (BA), ele ganhou projeção nacional em 2022, quando foi candidato à Presidência da República pelo PTB e participou dos debates eleitorais na televisão. Apesar de se apresentar como padre e integrante da Igreja Ortodoxa, sua ordenação não é reconhecida pela Igreja Católica Apostólica Romana nem pelas principais igrejas ortodoxas tradicionais do país. Já Padre Silvio Andrei, da Diocese de Jundiaí, obteve 26.409 votos. Com cerca de 466 mil seguidores nas redes sociais, ele já havia disputado uma vaga na Câmara dos Deputados em 2018, quando recebeu 47.650 votos e também não foi eleito. A candidatura de Silvio Andrei provocou reação da Diocese de Jundiaí. Em julho, a instituição anunciou a suspensão do sacerdote e o proibiu de celebrar missas com mais de um fiel após o lançamento de sua pré-candidatura. Em nota, a diocese afirmou que a legislação da Igreja Católica determina que clérigos se abstenham de atividades incompatíveis com o estado clerical, incluindo a ocupação de cargos públicos que impliquem o exercício do poder civil. A candidata a deputada federal Mãe Su de Nanã (PSOL), liderança religiosa de matriz afro-brasileira, também não se elegeu. Padre Kelmon no debate da TV Globo Marcos Serra Lima/g1