Caso Gustavo: pai demitiu mãe 10 dias após nascimento do filho, diz delegado

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio O inquérito que investiga a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 ...

Caso Gustavo: pai demitiu mãe 10 dias após nascimento do filho, diz delegado
Caso Gustavo: pai demitiu mãe 10 dias após nascimento do filho, diz delegado (Foto: Reprodução)

Polícia conclui inquérito do caso Gustavo Veloso e indicia pai e madrasta por vicaricídio O inquérito que investiga a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi concluído com o indiciamento do pai e advogado, Igor Veloso, e da madrasta, Kathellen Moreira. Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes, a mãe, Sabrina Feitosa, era contratada pelo escritório do qual Igor é proprietário, mas foi demitida 10 dias após dar à luz ao filho. Durante coletiva de imprensa na segunda-feira (28), a Polícia Civil informou que Igor Veloso foi indiciado pelos crimes de vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen Moreira deverá responder por vicaricídio e fraude processual. A investigação da Polícia Civil traça um histórico de violências praticadas pelo advogado contra a mãe, com indícios de que Sabrina Feitosa vivia em um relacionamento tóxico durante a gravidez de Gustavo, em 2022. De acordo com o delegado, o advogado ofereceu a Sabrina uma vaga de secretária em seu escritório de advocacia, em 2021. A partir desse contato, os dois iniciaram um relacionamento amoroso, e ela engravidou de Gustavo em 2022. Igor teria se comprometido a arcar com algumas despesas da criança, mas, segundo a investigação, começou a apresentar os primeiros “desvios de conduta”. "Inicialmente, com a Sabrina ainda grávida, ele passa a exercer um controle, querendo saber onde ela está. [...] Já por ocasião do parto, a Sabrina foi completamente desamparada, o parto foi realizado em um hospital público. Sendo um advogado com uma posição financeira muito boa, entendo que o filho dele iria também receber esse tratamento", disse o delegado. Polícia Civil conclui inquérito sobre a morte de criança em Palmas (TO) e indicia pai e madrasta Stefani Cavalcante/g1 LEIA MAIS Pai e madrasta suspeitos da morte do menino Gustavo são presos em Palmas Pai e madrasta são indiciados pela morte do menino Gustavo; veja os crimes Justiça encerra investigação contra mãe e advogada no caso da morte do menino Gustavo O menino Gustavo nasceu em janeiro de 2023, e a partir disso, Menezes explica que as violências de Igor contra a mãe começaram a piorar. "Sabrina era contratada do escritório de advocacia, era funcionária, e 10 dias depois do nascimento do próprio filho, ele demite a Sabrina do cargo. É uma ação que na minha visão, além de desrespeitar obviamente a legislação trabalhista, ele simplesmente mostra aí já o desprezo em relação à mãe do filho e, principalmente, ao filho", afirma. A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva afirma que discorda das imputações e ressalta que o indiciamento não representa uma conclusão definitiva de culpa. Segundo os advogados, as responsabilidades devem ser individualizadas e baseadas em provas técnicas, e os fatos serão discutidos no momento adequado, com direito à ampla defesa (veja íntegra abaixo). Sabrina Feitosa ao lado do filho Gustavo Veloso Reprodução/Instagram de Sabrina Feitosa Entenda o caso O crime oconteceu na casa de Igor, em Palmas, no dia 2 de agosto de 2026. O pai procurou a polícia somente no dia seguinte, alegando que o menino teria sido vítima de afogamento. Contudo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que Gustavo morreu após sofrer múltiplas agressões e violência sexual. Inicialmente, a Polícia Civil informou que os suspeitos responderiam por homicídio duplamente qualificado e tortura. Mas a tipificação do crime foi reformulada, conforme novas evidências encontradas, para incluir estupro de vulnerável e o vicaricídio. Segundo o delegado, Igor Veloso confirmou em depoimento que o filho pulou na piscina sem autorização e se afogou, mas foi resgatado por ele. Quando questionado, Gustavo teria dito que a mãe o autorizou a banhar na piscina. Essa situação teria irritado Igor e dado início às agressões contra a criança. A polícia acredita que as agressões que começaram na área externa continuaram no quarto do menino, levando-o à morte. Com relação ao crime de estupro, Igor teria negado veementemente a violência. "Ele tentou justificar que as lesões no ânus do menino teriam sido em razão das pancadas. Isso será rechaçado tecnicamente com a nova solicitação direcionada ao perito. A forma como as lesões são necessariamente causadas pela inserção de objetos", comentou o delegado. Ainda conforme o delegado, o laudo pericial confirmou que a criança estava viva no momento em que essas lesões foram provocadas, o que configuraria também crime de tortura. A fraude processual ocorreu após a morte de Gustavo. "Ficou claro que houve movimentação na cena do crime. Ajeitaram o corpo do menino para parecer que acordaram e encontraram ele morto. Essa alteração configura fraude processual", explicou Menezes. O pedido de prisão de Igor e Kathellen foi feito à Justiça 48 horas após a morte. Segundo a investigação, quando foram detidos, já haviam escondido aparelhos celulares. A Justiça negou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Kathellen. Apesar de ela ter uma filha bebê, o Judiciário considerou que a criança está sob os cuidados da avó e que os fatos investigados são graves. Íntegra da nota da defesa de Igor e Kathellen A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira da Silva informa que tomou conhecimento do indiciamento divulgado pela autoridade policial e analisará, com serenidade e responsabilidade, a íntegra do relatório final e os elementos utilizados para fundamentar suas conclusões. Embora respeite o trabalho desenvolvido durante a investigação, a defesa discorda das imputações formuladas e ressalta que o indiciamento constitui manifestação da autoridade policial no âmbito do inquérito, não representando juízo definitivo de culpa. Em uma investigação de elevada complexidade e repercussão, é indispensável que as condutas sejam rigorosamente individualizadas e que qualquer conclusão esteja amparada em provas técnicas seguras, sem presunções ou transferência automática de responsabilidade entre os investigados. As questões fáticas, jurídicas e periciais serão enfrentadas no momento e no foro adequados, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. A defesa reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo. Igor Gustavo Veloso foi preso na madrugada desta quinta-feira (6) Reprodução/TV Anhnaguera Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.