Calor extremo fecha escolas, afeta pontos turísticos e coloca Europa em alerta; entenda o que está acontecendo

GIF: Onda de calor na França Reuters Milhões de pessoas enfrentam uma onda de calor excepcional em diversos países da Europa nesta semana. França, Espanha, ...

Calor extremo fecha escolas, afeta pontos turísticos e coloca Europa em alerta; entenda o que está acontecendo
Calor extremo fecha escolas, afeta pontos turísticos e coloca Europa em alerta; entenda o que está acontecendo (Foto: Reprodução)

GIF: Onda de calor na França Reuters Milhões de pessoas enfrentam uma onda de calor excepcional em diversos países da Europa nesta semana. França, Espanha, Itália e Reino Unido registram temperaturas muito acima da média para esta época do ano, com máximas superiores a 40°C em algumas regiões. O episódio já bate recordes, levou autoridades a emitir alertas máximos e vem sendo comparado por meteorologistas à histórica onda de calor de 2003, que causou cerca de 80 mil mortes em todo o continente. Por causa do calor, escolas foram fechadas, eventos esportivos cancelados e pontos turísticos precisaram suspender atividades. Alguns dos principais cartões-postais da França, como a Torre Eiffel e o Museu do Louvre, tiveram o funcionamento afetado. Autoridades também emitiram alertas de saúde para grupos mais vulneráveis. A França é um dos países mais afetados. Nos últimos dias, ao menos 40 pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar diante das temperaturas extremas. O país colocou cerca de metade de seu território sob alerta vermelho de onda de calor. O que causa o calor é um fenômeno atmosférico conhecido como bloqueio ômega. De acordo com especialistas, ainda não há em vista uma trégua para o calor, que deve seguir intenso até pelo menos o próximo fim de semana. Além disso, especialistas alertam que o continente europeu é atualmente o que registra o aquecimento mais acelerado do mundo. (Leia mais abaixo) Homem se refresca do calor em Madri em 23 de junho de 2026 Mohammed Salem/Reuters O que está acontecendo na Europa? Os impactos da onda de calor já são sentidos em vários países europeus e afetam desde o funcionamento de escolas até o transporte público e a rede elétrica. França: a companhia ferroviária cancelou 71 trens intermunicipais em rotas importantes. Em Paris, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre passaram a fechar mais cedo para proteger visitantes e funcionários do calor extremo. Reino Unido: dezenas de escolas anunciaram encerramento antecipado das aulas. Muitos prédios escolares antigos não possuem estrutura adequada para abrigar salas com mais de 30 alunos durante temperaturas elevadas. Espanha: quase todo o país está sob alerta para onda de calor, especialmente regiões como Andaluzia, País Basco e Cantábria. Em Madri, a prefeitura ativou um "abrigo climático" para atender pessoas em situação de rua e vulnerabilidade, oferecendo água, alimentação e locais para higiene durante as horas mais quentes do dia. Itália: em Turim, a concessionária de energia Iren dobrou os turnos de funcionários e instalou geradores extras para lidar com cortes de energia provocados pela sobrecarga da rede elétrica. Alemanha: a empresa de logística DHL distribuiu kits de proteção aos mais de 111 mil carteiros do país, com toalhas refrescantes reutilizáveis, protetores de pescoço com proteção UV e dispositivos para resfriar os pulsos durante as entregas. O que está provocando o calor extremo? A principal causa imediata é um fenômeno atmosférico conhecido como bloqueio ômega. O nome vem do formato que o sistema assume nos mapas meteorológicos, semelhante à letra grega Ω (ômega). Trata-se de uma área de alta pressão atmosférica cercada por dois sistemas de baixa pressão. Na prática, esse bloqueio funciona como uma espécie de "tampa" sobre uma região. O sistema impede a passagem normal das frentes frias e faz com que o ar quente fique preso sobre o mesmo local durante vários dias. Em condições normais, a corrente de jato — um corredor de ventos fortes que circula em grandes altitudes — ajuda a deslocar os sistemas meteorológicos de oeste para leste. Durante um bloqueio ômega, esse fluxo é interrompido, permitindo que o calor se acumule continuamente. Com poucas nuvens e céu aberto, a radiação solar aquece ainda mais a superfície. O resultado são dias consecutivos de calor intenso, temperaturas recordes e noites cada vez mais quentes. Uma mulher se protege do sol com um guarda-chuva na Praça do Trocadero, perto da Torre Eiffel, enquanto as temperaturas sobem em Paris durante a segunda onda de calor que afeta grande parte da França, em 20 de junho de 2026 REUTERS/Sarah Meyssonnier Por que isso está acontecendo? Os cientistas ainda investigam de que forma as mudanças climáticas podem influenciar a frequência dos bloqueios ômega. Não há consenso sobre essa relação específica. Por outro lado, existe consenso científico de que o aquecimento global está tornando as ondas de calor mais frequentes, mais duradouras e mais intensas. O continente europeu é atualmente o que registra o aquecimento mais acelerado do mundo. Dados do programa europeu Copernicus mostram que as temperaturas na região aumentam cerca de duas vezes mais rápido do que a média global desde a década de 1980. O mesmo monitoramento apontou que 2024 foi o ano mais quente já registrado tanto na Europa quanto no planeta. O continente também registrou um dos maiores números de dias classificados como "estresse térmico", condição em que o calor representa risco significativo à saúde humana. Ou seja, a temperatura média da Europa vem aumentando ao longo das últimas décadas. Em um continente mais quente, eventos extremos de calor tendem a ocorrer com mais frequência e intensidade. Onda de calor atinge a Europa ocidental Por que o episódio preocupa tanto? O problema não é apenas a temperatura máxima registrada durante o dia, mas a persistência do calor. Outro agravante é o quanto muitas dessas regiões são despreparadas para as altas temperaturas. Quando uma onda de calor se prolonga por vários dias, o corpo humano tem mais dificuldade para se recuperar, especialmente durante a noite. Isso aumenta o risco de desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Em consequência, aumenta o risco de morte, principalmente entre idosos e pessoas vulneráveis. Na França, o país registrou nesta semana a tarde e a noite mais quentes desde o início dos registros meteorológicos, em 1947. Para especialistas, esse é um dos sinais mais preocupantes, porque a população não consegue se recuperar do estresse térmico acumulado durante o dia. Embora os eventos extremos estejam se tornando mais frequentes, muitas regiões europeias ainda são mais adaptadas ao frio do que ao calor. O uso de ar-condicionado é muito menos disseminado do que em países acostumados a temperaturas elevadas. Além disso, boa parte das cidades, edifícios e sistemas de transporte foi projetada para conservar calor durante o inverno, e não para dissipá-lo durante ondas de calor. Essa característica ajuda a explicar por que episódios de calor extremo costumam causar impactos tão significativos na rotina e na saúde da população. Por isso, autoridades têm suspendido aulas, restringido atividades ao ar livre e reforçado orientações para reduzir a exposição ao calor. O que esperar nos próximos dias? As previsões indicam que o calor extremo deve continuar afetando boa parte da Europa ao longo desta semana. Na França, os termômetros podem alcançar 43°C em algumas áreas. No Reino Unido, há expectativa de quebra de recordes históricos para o mês de junho, com temperaturas próximas de 37°C. A duração do episódio dependerá do enfraquecimento do bloqueio ômega. Enquanto esse sistema permanecer estacionado sobre o continente, o calor continuará acumulado, mantendo o risco de novos recordes e impactos à saúde da população.