Audi de R$ 300 mil por R$ 15 mil: polícia identifica 21 perfis que vendem carros clonados no TikTok

Perfis no TikTok anunciam carros de luxo clonados Reprodução Perfis no TikTok estão sendo usados como vitrine para a venda de carros clonados no Rio de Janei...

Audi de R$ 300 mil por R$ 15 mil: polícia identifica 21 perfis que vendem carros clonados no TikTok
Audi de R$ 300 mil por R$ 15 mil: polícia identifica 21 perfis que vendem carros clonados no TikTok (Foto: Reprodução)

Perfis no TikTok anunciam carros de luxo clonados Reprodução Perfis no TikTok estão sendo usados como vitrine para a venda de carros clonados no Rio de Janeiro. A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) já identificou, pelo menos, 21 contas relacionadas a esse tipo de comércio ilegal. Entre elas, estão perfis que anunciam veículos de luxo por valores bem abaixo da média e utilizam a plataforma para entrar em contato com possíveis compradores. Um desses perfis, que soma mais de 21 mil seguidores, desafia as leis ao indicar na própria página que o canal é dedicado à "venda de veículos clonados e bode". "Também trabalho com peças e com puxada de documentos", diz a mensagem no perfil. Operação mira esquema que usava anúncios na internet para encomendar roubos de carros no RJ Em nota, o TikTok informou que deixa claro nas suas Diretrizes da Comunidade que não permite conteúdos que promovam crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens (veja a nota na íntegra no final da reportagem). Carros até 20 vezes mais baratos Em um dos anúncios, é possível ver um veículo Corolla 2022, da marca Toyota, sendo anunciado por R$ 8,5 mil. Na Tabela Fipe, referência de mercado para carros, os valores passam de R$ 100 mil. Em outra publicação, um Jeep Compass Sport 2024, que também custa mais de R$ 100 mil, é anunciado pelos mesmos R$ 8,5 mil. Um Audi Q8 2019, que sai por mais de R$ 300 mil, foi anunciado por R$ 15 mil – 20 vezes abaixo do valor de mercado. No perfil, é possível ver um veículo Corolla 2022, da marca Toyota, sendo anunciado por R$ 8,5 mil Reprodução Nas postagens, também é possível ver o interesse dos compradores, que fazem indagações nos comentários do tipo: "como faço para buscar?" e "tem para pronta entrega ou ainda vai buscar?". Segundo a polícia, os criminosos também usam os canais para receberem encomendas e praticarem os roubos de acordo com o interesse do comprador. Símbolos de 'parceria' com o CV Perfis mostram predominância da atuação em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, como indicado na imagem Reprodução Os perfis analisados pelo g1 mostram uma predominância da atuação em áreas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho. Em diversas publicações, o anúncio exibe a frase: "entrego dependendo da região- RJ", com um ícone de uma bandeira vermelha 🚩ao lado do texto. Segundo a polícia, o ícone indica parceria com a organização criminosa. As investigações começaram em maio de 2025. Thiago Neves Bezerra, delegado diretor da DRFA, explicou que a polícia acompanha diferentes perfis utilizados nesse tipo de atividade. "As redes sociais passaram a funcionar como uma espécie de vitrine para esse mercado criminoso. O anúncio de um Corolla por R$ 8 mil, por exemplo, não representa uma oportunidade comercial: é um forte sinal de alerta. Esses grupos exploram o enorme alcance das plataformas, a facilidade de criação e substituição de perfis e a velocidade de comunicação para encontrar compradores", comentou Thiago. Página Duble de respeito está entre os perfis citados na investigação da polícia Reprodução Segundo o delegado, as contas costumam permanecer ativas por períodos curtos, entre 30 e 60 dias. Quando a polícia solicita a preservação dos dados para aprofundar uma investigação, a plataforma inicialmente bloqueia o perfil e, posteriormente, faz o banimento da conta. A investigação aponta ainda dificuldades para identificar quem está efetivamente por trás dos perfis. Segundo o delegado, os dados cadastrais enviados pela plataforma são, em alguns casos, vinculados a e-mails falsos ou aparecem em nome de pessoas que não têm conhecimento de que seus dados estão sendo utilizados. "Tentam criar camadas de anonimato entre quem anuncia, quem recebe o dinheiro e quem efetivamente está por trás da venda. Por isso, a investigação não termina no perfil da rede social. É necessário seguir o caminho digital e financeiro da operação, cruzando contas, telefones, dispositivos, pagamentos e demais elementos que permitam chegar às pessoas que realmente integram a estrutura criminosa”, acrescentou o delegado. Audi Q8 2019 é anunciado em uma das páginas por R$ 15 mil; na Tabela Fipe, valores passam de R$ 300 mil Reprodução Dinheiro também passa por terceiros A polícia identificou ainda o uso de telefones como chave Pix. Segundo Thiago Neves Bezerra, os números estavam vinculados a integrantes do grupo classificados como "laranjas" e cadastrados em nome de terceiros, inclusive de pessoas que moram em outros estados. Na Operação Sinal Oculto, que ocorreu em agosto deste ano, os investigadores também encontraram pagamentos feitos por meio de contas de terceiros. Segundo a polícia, vendedores utilizavam essas contas, com a conivência de algumas pessoas, para dificultar a identificação de quem efetivamente estava por trás das vendas. A análise de dados, com autorização judicial, permitiu identificar os recebedores dos valores e também compradores. Perfil desafia as leis ao indicar na própria página que o carro anunciado é clonado: Reprodução Operação Sinal Oculto Em 27 de agosto de 2026, a DRFA-CAP deflagrou a Operação Sinal Oculto. Ao todo, foram expedidos 37 mandados de busca. Destes, 11 tiveram resultado positivo, com apreensões. Também foi expedido e cumprido um mandado de prisão. Outras duas pessoas foram presas em flagrante. Entre os materiais apreendidos estavam 19 telefones celulares, oito máquinas de cartão, sete rádios comunicadores, três veículos, dois simulacros de fuzil, sete munições e dois pen drives. A polícia também apreendeu um protetor de luneta, uma arma branca, um relógio, um documento, uma balança, cinco cintos táticos, um coldre, um rádio de veículo, dois carregadores de rádio e de pilha, uma mochila, um porta-cantil e uma camisa. Também foram apreendidas 18 caixas de sabonetes, 170 embalagens de entorpecentes — descritas no balanço como contendo crack, erva seca e pó branco — e uma caixa de entorpecente de pó branco. Durante a deflagração e o andamento da operação, foram confeccionados 17 Registros de Ocorrência pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Anúncios atraem interessados: 'Tem para pronta entrega ou ainda vai buscar?" Reprodução Celulares apreendidos ainda são analisados Segundo a DRFA-CAP, aparelhos telefônicos apreendidos por ordem judicial estão sendo submetidos à análise da perícia técnica. Depois dessa etapa, os dados deverão ser analisados pelas equipes de investigação. A expectativa é que o conteúdo dos dispositivos ajude a esclarecer a estrutura utilizada pelos envolvidos e a relação entre os perfis, vendedores, compradores, contas utilizadas para pagamentos e demais integrantes do grupo investigado. O que diz o TikTok O TikTok informou que os perfis foram removidos por violarem as políticas de comportamento da plataforma. "O TikTok deixa claro nas suas Diretrizes da Comunidade que não permite conteúdos que promovam crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens. Sendo proibido na plataforma: Promover roubo ou destruição de propriedade; Compartilhar instruções sobre como cometer crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou propriedade. Nosso sistema de moderação atua de forma contínua e, mesmo sem denúncias, retira automaticamente conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade. No Centro de Transparência, publicamos trimestralmente relatórios de moderação. O mais recente, referente ao primeiro trimestre de 2026, aponta que 99,7% dos vídeos que violaram nossas políticas de segurança e civilidade, que incluem nossas regras sobre comportamento criminoso, foram removidos proativamente, antes de qualquer denúncia. O mesmo relatório aponta que 92,6% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre o tema foram removidos antes de qualquer visualização", diz a nota.