Alunos indígenas de SP têm aulas em espaço sem bebedouro e banheiro sem porta; secretaria diz não haver prejuízo de aprendizagem

Escola estadual indígena em SP Reprodução Mais de 250 alunos da Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy, na Terra Indígena Jaraguá, na Zona Norte, pa...

Alunos indígenas de SP têm aulas em espaço sem bebedouro e banheiro sem porta; secretaria diz não haver prejuízo de aprendizagem
Alunos indígenas de SP têm aulas em espaço sem bebedouro e banheiro sem porta; secretaria diz não haver prejuízo de aprendizagem (Foto: Reprodução)

Escola estadual indígena em SP Reprodução Mais de 250 alunos da Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy, na Terra Indígena Jaraguá, na Zona Norte, passaram a ter aulas improvisadas em um centro de convivência da aldeia após a interdição do prédio por problemas estruturais. Segundo apurado pela TV Globo e pelo g1, desde a última segunda-feira (25), os estudantes enfrentam falta de infraestrutura no espaço provisório, como banheiros sem portas, falta de bebedouros ou água filtrada e salas adaptadas com quadros pequenos. A escola foi interditada em 10 de março pela Defesa Civil Municipal e pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) por questões de segurança após um deslocamento natural de terra, e o alunos estavam sem aulas desde então. Procurada inicialmente pela equipe de reportagem, a Secretaria da Educação afirmou que o espaço escolhido para continuidade das aulas tinha condições de atender os alunos “sem prejuízo ao processo de aprendizagem” e que um cronograma de reposição foi elaborado para assegurar a carga mínima anual. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Após novo questionamento, no entanto, a secretaria afirmou que o centro de convivência da aldeia está sendo utilizado de forma temporária e que passa por adaptações. Segundo a pasta, a FDE mapeou os pontos que precisam de manutenção e iniciou os reparos nesta quarta-feira (24). Ainda de acordo com o governo, uma geladeira e um fogão foram levados para a cozinha comunitária da aldeia para apoio no preparo da merenda escolar, que, segundo a secretaria, está sendo servida normalmente. Problemas antigos Os problemas na escola são relatados pela comunidade indígena há ao menos cinco anos. Desde 2021, indígenas reclamam da falta de estrutura, especialmente no refeitório e na cozinha, além de apontarem rachaduras nas salas de aula do prédio principal. Em março daquele ano, lideranças da comunidade impediram a saída de engenheiros da Secretaria da Educação do local como forma de pressionar por uma solução diante das condições da escola. Os profissionais só foram liberados após conversa com a Defesa Civil. Segundo o líder indígena Thiago Karai Djekupe, a ação tinha como objetivo garantir que a Defesa Civil avaliasse a situação da unidade e desse um encaminhamento, como interdição ou reforma. Na época, o governo estadual afirmou que havia realizado intervenções na escola, como recuperação de alvenaria, manutenção da cobertura, troca de portas, luminárias e pintura, além de melhorias no sistema de iluminação. Apesar disso, a unidade ainda apresentava problemas, como vidros, tijolos e telhas quebradas, além de rachaduras. Nova unidade Após a interdição no início do mês, uma nova unidade escolar está em construção para atender a comunidade, com investimento superior a R$ 3,5 milhões. A previsão do governo é que a primeira etapa seja entregue no segundo semestre deste ano.